MONDO ROCK - UOL Blog

Sem internet em casa, as atualizações serão ainda mais esporádicas e inusitadas, como esta, em que relato mais dois capítulos da interminável narrativa sobre a viagem de 2007. Mas se preparem, pois os textos estão entre os piores que já escrevi...

Ah, não sei porque cargas d'água essa porra não está aceitando a publicação de fotos. Nem dividindo os textos consigo postá-las...

 

 

DIÁRIOS DE VIAGEM – NA SERRA GAÚCHA - OPS, ARGENTINA!

 

 

Decididos a não permanecer mais uma noite no pulgueiro, juntamos nossas coisas e logo pela manhã partimos em busca de um lugar melhor para dormir. Após o jogo entre Argentina e Chile, o movimento nos hostels de Mendoza volta ao ritmo normal e fica mais fácil encontrar hospedagem. No entanto, ao deixar o imundo albergue do primeiro dia, o Gui esquece lá sua estimada garrafa de água do Pacífico, entre outros pertences. Todos de maior valor financeiro, mas nenhum com o valor sentimental da bendita água... Já eu aproveito para diminuir a bagagem, deixando para trás uma calça jeans que já tinha um rasgo que ia da bunda às panturrilhas (que exagero!).

 

No novo albergue, que tem uma aparência muito melhor do que o outro, mas também não é nenhum paraíso, procuramos a programação disponível para turistas. E optamos por duas atividades nada radicais: um passeio de bicicleta, que ficaria para o dia seguinte, e uma tour pelos vinhedos locais, que começaria logo após o almoço.

 

Confesso que não me entusiasmo muito com a ideia de visitar um vinhedo, coisa que já havia feito anteriormente na serra gaúcha. Além disso, vinho nunca esteve no meu ranking de bebidas favoritas. Mesmo assim, o passeio se mostra bastante interessante, principalmente porque a região de Mendoza é muito forte nesse mercado. Dizem os especialistas que poderá, em alguns anos, superar inclusive o Chile, mundialmente famoso por suas vinícolas.

 

De barril em barril, tomamos vários tipos de vinhos, daquele jeito fresco que os enólogos garantem ser o ideal: sacudindo a tacinha, dando uma fungada, segurando-a de modo adequadamente sutil e fingindo ter percebido todos os 1.735 aromas inseridos em cada qualidade de vinho. Eu, “enologicamente” ignorante, pouco posso diferenciá-los... Mais um pouco e acabo de porre, isso sim!

 

Entre um trago e outro, duas coisas me chamam a atenção. Uma oliveira, ou seja, um pé de azeitona, é uma delas. É a primeira vez que vejo azeitona fora da conserva, bem verdinha, demais até, impossível de comer!

 

A outra é um americano tosco que não para de fazer piadinhas sobre tudo o que vê, além de ter uma cara muito idiota. Depois de algum tempo, chegamos à conclusão de que ele é um clone do Bush! Deve haver muitos nos EUA...

 

Não me perguntem porque, mas o passeio inclui também uma fábrica de chocolates... É claro que no final tem uma lojinha com diversas barras, bombons e outras coisas que os turistas se sentem impelidos a comprar. Engraçado, mas parece que estamos entre Canela e Gramado, e não na Argentina... Há mais semelhanças entre nós e os hermanos do que imaginamos.

SÓ POSSO ESTAR SONHANDO...

 

Já tive a oportunidade de presenciar algumas dezenas de shows e posso dizer que há poucas das que podemos chamar de bandas clássicas que ainda desejo desesperadamente ver ao vivo. Quem entra aqui certamente sabe que, nessa seleta lista, o Motörhead tem um lugar mais do que especial.

 

 

 

Eles já estiveram em Porto Alegre duas vezes. Na primeira, que nem sei em que ano foi (possivelmente, 1989), eu sequer conhecia a banda. Na segunda, em 2000, eu era um estudante universitário que já havia gastado muito dinheiro quando divulgaram a turnê do grupo no Brasil.

 

Me formei, comecei a trabalhar e, quando vim morar na capital, achava que essa espera para ver Lemmy e cia. iria acabar logo. No entanto, não era apenas uma questão de tempo. A banda britânica retornou algumas vezes para o Brasil, mas nunca incluindo Porto Alegre em seu itinerário - na verdade, os produtores gaúchos é que não se interessaram.

 

Em abril de 2007, durante a famigerada viagem ao Chile - cujos relatos até hoje não consegui terminar de escrever - suei frio em Santiago, ao ver cartazes anunciando uma apresentação do grupo apenas alguns dias após nossa estada lá. Mas eu não tinha direito a mais férias e tampouco dinheiro para me aventurar nessa...

 

Prometi, então, a mim mesmo, que faria todo o esforço necessário para não deixar essa oportunidade escapar de novo. Quando foi divulgado que a banda retornaria ao país em meados de abril deste ano - daqui a pouco mais de um mês, portanto -, nem hesitei. Desesperadamente, busquei alternativas para ver o show.

 

Buenos Aires era o local mais próximo e atraente... Mas como comprar o ingresso? Recife, que beleza, não conheço... Além disso, o show é dentro do Abril Pro Rock: iria conferir um festival renomado, uma das minhas bandas favoritas e, de quebra, fazer um pouco de turismo no nordeste. Mais salgado, obviamente, mas muito mais interessante.

 

Com outras cidades sendo tão inacessíveis quanto Bs. As. em termos de compra de ingresso, e São Paulo sendo algo muito gigantesco e caro para me aventurar sozinho, já estava entrando em desespero. Até que Rodrigo “Rato” Barbosa anunciou sua mudança para a megalópole e a esperança voltou a estampar o meu já choramingante rosto.

 

Beleza, ia dar um rolê em Sampa e conhecer o cafofo do meu amigo ex-militar... Só que, de repente, do nada, descobri uma excursão que vai sair de Blumenau para Curitiba, onde foi anunciado um show de última hora! Subitamente, resolvi atenuar um pouco os gastos, até porque em breve vou me mudar de novo. Pesquisei na internet, a organização é experiente e de confiança, paguei e era isso, dia 12 de abril tô lá na capital paranaense para ver Lemmy Kilmister, no auge da forma aos 62 anos, eheheh! Minha visita terá que ficar para depois, Rato...

 

Sei que deverá ser extremamente cansativo ir daqui até Blumenau, e, umas poucas horas depois, viajar até Curitiba. Mas, se tudo der certo, vai ser inesquecível. Sei também que poucos compartilham essa opinião comigo (dos que entram aqui, talvez só o Lobão), mas Motörhead é uma das bandas mais foda que já surgiram neste planeta!!!

WAKE UP THE DEAD

 

Achei que era dessa vez que o blog batia as botas...

 

Dez dias de férias são suficientes para um indivíduo arejar a cabeça? Depende do indivíduo.

 

Na praia, passei mais tempo viajando na maionese do que meditando sobre o que a vida me reserva ou sobre o que espero de 2009. Agora que estou de volta a Porto Alegre, tenho pensado muito a respeito disso por permanecer em estado febril há quase uma semana...  E não cheguei a conclusão nenhuma além de que sou apenas um loser que espera por um milagre.

 

O Hermenegildo continua lindo... Geralmente com muito vento, dá pra dormir tapado (que maravilha!), bucólico, às vezes meio chinelo, quase sempre um lugar bom para se estar. Desta vez, até rock’n’roll teve!

 

Consegui conferir trechos do terceiro Hermena Rock, festival que une alguns grupos locais com bandas destacadas na cena gaúcha. A grande atração desta edição foi, sem dúvida, a Bidê ou Balde, que, infelizmente, poucos mergulhões conheciam. Para se ter uma ideia, o carro de som que fazia propaganda do festival dizia, a altos brados: “a maior revelação do rock gaúcho”. Revelação? Com uma década de estrada? Faz-me rir...

 

De qualquer forma, a turma de Carlinhos Carneiro detonou sem dó nem piedade seu pop rock bubblegum com letras sobre o dia-a-dia, amor e sexo. E o cara soltava cada frase que deve ter matado alguma das 17 tias que resolveram assistir aos shows em uma cadeirinha de praia na Alameda das Acácias... UAHUAHUAH! Rock’n’roll!

 

Fora isso, teve festa no Hermena, churrasco na Barra brasileira, aventura na Barra uruguaia, preparatórios em que consegui ser o mais idoso entre 60 pessoas (só então cai na real... estou fora) e um pouco de praia, que é pra não ficar 100% branquelo. Ah, e teve a tal ceva na cidade com o Jandinho, que o Kacius tinha combinado, mas que acabou não participando por não estar por lá...

 

Insólito: em toda cidade há aquele lugar que o pessoal GLS gosta de freqüentar, né? Geralmente, é algo que todo mundo sabe, mas não existe nada oficial sobre isso - ou seja, ninguém pode dizer, com certeza, que tal lugar é gay, pois teme se comprometer. Pois em SVP não tem essa!!!

Quem entra na cidade e dobra à esquerda na avenida Justino Amonte Anacker dá de cara com uma birosca pintada de branco, com uma única porta (um garajão, por assim dizer), com os seguintes dizeres: “Club Nigth Bar – GLS”. UAHUAHUAH! Mais explícito impossível... Fora o erro ortográfico em “Night”!

 

Gostaria de voltar logo à terrinha, mas acho que não vai rolar tão cedo... Quem sabe daqui a uns três meses... Até lá, entrem nesse blog antes que ele encerre de vez suas inatividades!

RUN TO THE BEACH...

 

Contagem regressiva para as férias... Daqui a uma semaninha estarei em um ônibus, dirigindo-me para um lugar que, para mim, sempre é parada obrigatória, ao menos uma vez por ano: o Hermena.

 

Só espero que as chuvas permitam que isso aconteça. Depois do que aconteceu nesta quinta-feira - um ônibus de Porto Alegre só chegou a Pelotas 22h depois! - é bom virar devoto de São Pedro...

 

Final de semana cultural. Finalmente vi Ainda Orangotangos, longa gaúcho dirigido por Gustavo Spolidoro. A despeito do bairrismo - para quem mora em Porto Alegre, é sempre legal ver as ruas da cidade na telona, ainda mais quando são aquelas pelas quais você sempre passa - , o filme merece elogios.

 

                  "Morte por tesãããããããããooooooo..."

 

Ousado, trata-se de um plano-sequência de 81 minutos. Isso quer dizer que não há cortes: a câmera começa na estação do Trensurb no centro e vai até uma festa de 15 anos nos arredores da Redenção mostrando uma dezena e meia de personagens em situações insólitas. Algumas poderiam acontecer a qualquer um, mas em geral elas são completamente surreais e interrompidas sem maiores explicações.

 

Quem espera conclusões, moral da história ou coisa parecida, é melhor nem ver. Mas para quem gosta de ser surpreendido, vale a pena dar uma conferida!

 

Em tempo, a trilha sonora é do caralho, sendo que merece destaque a regravação de “Morte por tesão”, dos Cascavelletes, pela minha banda gaúcha favorita da hora, Damn Laser Vampires!

 

Também deu para rever Tangos & Tragédias, espetáculo que tinha presenciado há alguns pares de anos. Os caras continuam sensacionais e justificam no palco o porquê de lotarem o São Pedro há 24 anos. Prometo a mim mesmo que não vou demorar tanto tempo para ver de novo!

 

Mesmo com a grana curta, deu para ver que nessa área eu não economizo muito... Não aguentei ficar só com MP3 e acabei “morrendo” em um digipack de Black Ice, do AC/DC. Os caras merecem, mesmo ficando oito anos sem gravar um disco. Até porque o novo é realmente bom, o que me faz ter ainda mais expectativas no caso de se confirmar uma turnê brasileira...

 

Mais um clipezinho pra vocês: “Valerie”, do The Zutons. Ok, a versão de Amy Winehouse para essa música é muito boa, mas a original é foda!

 

Como o YouTube foi proibido de veicular algumas músicas - no caso do Zutons, de ceder o atalho que disponibiliza os vídeos em outros sites -, deixo só um link para o próprio YouTube. Se alguém se prestar a acessar, não vai se arrepender. Mas espere a barrinha vermelha carregar! Entra aqui

 ROCK NA TV

Sábado à noite cometi a heresia de ficar em casa, enquanto todos deviam estar "festeando" e se divertindo por aí. Mas isso não significa que me entediei: a TV transmitiu o show do Elton John inteirinho! Na Globo, com intervalos e legendas toscas; no Multishow, na íntegra. 

O cara manda bem ao vivo, apesar de sua voz estar muito diferente do que era nos anos 70. Mas a audição de "Rocket man", "Tiny dancer", "Bernie and the jets", "Crocodile rock", "Saturday night's alright" e mais uma dúzia de clássicos já deram vontade de estar no meio da multidão... Grande show e uma bela demonstração de que o pop não precisa ser descartável.

A apresentação de Elton John também me lembrou um programa interessantíssimo que rolava na Bandeirantes quando eu tinha lá meus 13, 14 anos (faz tempo!!!): o Hollywood Rock In Concert. Nada a ver com o festival que teve algumas edições no Brasil nos anos 90 (talvez só o patrocínio da marca de cigarro). Era simplesmente um programa semanal que sempre apresentava um show internacional, geralmente bem interessante, mas infelizmente muuito cortado. Lembro de ter assistido ao segundo Woodstock (lama no show do Nine Inch Nails e uma pauleira que decepcionou a todos, especialmente os que esperavam o clima de paz e amor da primeira e clássica edição).

Outros inesquecíveis foram Joe Cocker (graande interpretação de "With a little help from my friends"!), AC/DC (aquele início de show em Donington Park, com "Thunderstruck", mudou minha vida) e Iggy Pop (amarelo e esquálido, deslizando pelo palco e berrando "The passenger"). Ah, não poderia deixar de citar o tributo a Freddie Mercury, com Annie Lennox, Axl, Metallica, Tony Iommi e tantos outros...

Hoje em dia, para ver um show desse porte na TV, só pelas emissoras a cabo. Com raríssimas exceções - U2, Stones e agora o Elton John, a Globo tem mais interesse - e Ibope - transmitindo o BBB... São outros tempos.

Em matéria de música (e esportes, claro), a Band sempre foi mais confiável. Quem não lembra da transmissão de Raising Hell, o até então show de despedida de Bruce Dickinson do Iron Maiden? Depois, porém, acabou largando um pouco esse filão, embora às vezes nos surpreenda, como quando mostrou a apresentação paulista do Pearl Jam em 2005. Eu não vi, mas alguém sabe se o recente show do Led Zeppelin foi transmitido?

LEMBRANDO DE JOEY

Alguém aí já viu a última propaganda da Coca-Cola, que está passando na TV desde o início da semana? Ok, a marca é um dos maiores símbolos de uma indústria ianque, capitalista, imperialista etc. Mas não dá para negar que a agência de publicidade que faz os comerciais do refrigerante volta e meia tem ideias sensacionais, como no caso do vídeo abaixo. 

Obviamente, não escrevi este post para fazer propaganda para essa porcaria de líquido - que, como tudo que faz mal, é delicioso, vamos combinar -, mas para louvar a brilhante trilha sonora do comercial: "What a wonderful world", de Louis Armstrong, na versão de Joey Ramone, registrada no póstumo álbum Don't worry about me, de 2002. R.I.P., Joey.

Falando nisso, o fanatismo de anos atrás tem aflorado muito ultimamente, tanto que penso em cometer algumas pequenas loucuras, como comprar um boneco do Joey... Vi pela primeira vez quando fui conhecer a livraria Fnac, recentemente inaugurada em Porto Alegre, e só não o adquiri porque achei o preço muito salgado: R$ 95 ou R$ 99!!!

Mais recentemente ainda, dei uma pesquisada na internet e consegui encontrar por um valor bem mais baixo, R$ 64. Ainda assim, uma brincadeira um pouco cara - afinal, é só um boneco. Se bem que, porra, a quem estou querendo enganar? É uma miniatura do Joey Ramone, meu maior ídolo musical!

Mesmo sendo algo totalmente supérfluo, SEI que vou acabar comprando. Basta este período de vagas magras pelo qual estou passando acabar. Aí, meus amigos, não vai ter argumento para me impedir de ter o boneco!

 Ah, perdoem-me os excessos... Mas já faz um tempão que eu não falava em Ramones aqui!!! Periga até terminar a série de resenhas que ninguém lia e que parei de escrever há anos...

 DIÁRIOS DE VIAGEM - ABISMOS NA SOLA DO PÉ

Gastamos nossas últimas horas e pesos chilenos em Santiago em... mais uma visita a mais uma casa de Pablo Neruda. La Chascona, localizada em um belo bairro que não podemos conhecer melhor por falta de tempo, é a residência mais discreta do poeta, ao menos pelo lado de fora. Não é para menos: servia de refúgio para encontros furtivos com sua amante Matilde, tendo até uma passagem secreta dentro de um guarda-roupa!

Com motivos marítimos, como não podia deixar de ser, a casa não é tão fantástica quanto as demais, mas ainda assim é muito interessante. Só o nome chascona (descabelada) já merece destaque, por ser uma homenagem à sempre, digamos, despenteada Matilde - que depois passaria a ser mulher "oficial" do poeta.

Depois dessa overdose de Neruda, vamos para a rodoviária, onde todos, já fartos de comida chilena, rendem-se a um Mac Lanche Feliz. Eu, que não sou muito fã da culinária do Ronald, acabo comendo um pastel de vento e tomando uma Coca.

Comprar uma passagem até Mendoza, na Argentina, é um desafio. Dezenas de malucos oferecem a viagem por diversos preços, por inúmeras companhias. Tem até um que sugere irmos de carro com um motorista "de confiança"! Isso dentro da rodoviária... Escolhemos uma empresa mais ou menos "de confiança" e embarcamos para a estrada da morte às 14h.

Estrada da morte é brincadeira. Na verdade, a viagem entre Santiago e Mendoza tem praticamente o mesmo trajeto do filme Vivos (aquele em que os sobreviventes comem carne humana, lembram?), só que não estamos de avião, e sim de ônibus. Apesar disso, a coisa não melhora muito, pois a estrada parece muito com a trilha de um desenho clássico da Disney em que Mickey, Donald e Pateta estão em um trailer andando em curvas sinuosas à beira do abismo. Aquele, da musiquinha: "ela vem pela montanha, ela vem"...

 

A estrada para o inferno está cheia de boas intenções...

Muitos sustos e paisagens magníficas depois, pisamos novamente em solo argentino às 21h15min (20h15min, se ainda estivéssemos no Chile). O desafio agora é encontrar um albergue vago, o que acreditamos que não vá ser tão difícil nessa época. No entanto, lembramos de uma notícia no jornal: no dia seguinte, as seleções chilena e argentina se enfrentam em um amistoso... justamente em Mendoza! Resultado: quase tudo lotado.

Com as costas doloridas de tanto carregar as mochilas ultrapesadas e depois de ouvir muitos "não há vagas", achamos um hostel em que tem muito lugar sobrando. Coisa boa não poderia ser.

Acertamos em cheio. O pulgueiro, como ficou conhecido, é tão sujo que nem nos arriscamos a tirar a roupa para dormir - encostar o corpo nos lençóis representa um risco fatal. No entanto, cometo um erro: tomo banho de pés descalços - uma coisa que deveria ser normal, mas que nesse lugar revela-se um grande erro. Nunca tivera problemas graves nos pés até então, mas as frieiras proporcionadas pelo pulgueiro só me deixariam no ano seguinte... E que frieiras!

SER AMIGO DO HOMER É PADECER NO PARAÍSO!

 Costumava baixar filmes em diversos sites, catando links aleatórios no Google e nem sempre tendo sucesso em minhas tentativas. Ultimamente, no entanto, tenho me esbaldado com uma descoberta do meu amigo Kacius: o blog Amigos do Homer.

Sério, o troço é fantástico! Bem, na verdade é meio confuso e até agora não consegui me coordenar para achar os filmes direito lá, mas, depois que encontro, é uma facilidade para baixar... Tudo em alta qualidade, com legendinha... E o melhor: tem muitas raridades! 

O já citado Freaks está no Amigos do Homer (e aí, Kacius, já viste?), entre tantos outros clássicos bizarros do terror. Mas também há preciosidades como Faster, Pussycat! Kill!Kill!, uma pérola dos anos 60 que, já confessou Tarantino, é uma de suas grandes inspirações - na verdade, o cara nem precisaria dizer nada, é só assistir ao filme para perceber isso...

 Na lista de filmes recém baixados - alguns deles, para gravar: Love me tender, Sociedade dos Amigos do Diabo, Velvet Goldmine e Donnie Darko! É ou não uma beleza esse blog? Tem de lixo ao luxo...

                                                ...

 Falando em achados, sei que não deve ser novidade interessante para muitos, mas o site Akinator merece uma visitada. Trata-se de um joguinho com uma espécie de gênio que adivinha em quem você está pensando através de uma série de perguntas. O índice de acertos é alto, tanto que eu e meus colegas de trabalho (não na hora do rush, claro) já desafiamos o Akinator a descobrir que estávamos pensando em figurantes do Chaves, do Dragon Ball e do Pokémon! E o gênio acertou!

 Claro que é um banco de dados gigantesco que cruza as informações de acordo com as respostas que damos, mas não deixa de ser curioso que ele descubra qual o personagem que estamos pensando após pouquíssimas perguntas. Também dá para fazer o gênio adivinhar pessoas comuns, mas, além de exigir muito mais esforço (e quantidade de perguntas), ele vai responder apenas: "meu pai", "minha filha" e por aí vai. Enfim, um bom passatempo para quem estiver coçando.

FUCK THE TIME 

O ano de 2009 começa cheio de incertezas... Mas quando é que isso não acontece? Até o mais banal dos dilemas nos leva a refletir. Por exemplo: levarei adiante este blog ou não? Ele já foi ameaçado de extinção inúmeras vezes...

Por hora, só posso dizer que ele continua, aos trancos e barrancos. E, na medida do possível, passará a adotar as novas regras ortográficas - se bem que acho que ninguém está dando a mínima para isso. 

Depois de um momento relativamente fracassado de reflexão no Hermena durante o Natal, volto a Porto Alegre e à internet. De computador novo, como havia mencionado antes. Não há uma desculpa realmente boa para não escrever. Pelo menos não uma que possa ser anunciada publicamente. 

Perdoem-me o post enigmático, mas realmente não estou num bom momento para escrever ainda. Um dia estarei? Não sei...

Só sei que o desespero já começou: foram anunciados shows do Motörhead (com trema, sim, pois não é palavra portuguesa) em quatro capitais brasileiras em abril. E adivinhem: Porto Alegre não está entre elas. Pois este que vos escreve terá que fazer um esforço financeiro e logístico para não deixar passar essa oportunidade mais uma vez... Abril está logo ali. 

E aí? Buenos Aires ou São Paulo? O que será mais em conta?

200...

Mais um afastamento... Desta vez, o computador deu pau, foi para o conserto, deu pau de novo... agora definitivamente. Até escolher um modelo novo e ter a certeza de que deveria investir minha grana nele, levou um tempão.

Além disso, a vida tem sido bem complicada nas últimas semanas; então, nem passou pela minha cabeça atualizar o blog nesses dias turbulentos. Portanto, meus amigos, vou ficar devendo uma despedida digna de 2008. Mas como acredito que o início de 2009 será mais tranqüilo, espero voltar logo a escrever aqui. Boas festas a todos.

!!!

 

Dias corridos, muita ação e pouco tempo para escrever, então lá vai:

 

O GIG Rock chegou à sexta edição e eu tive que marcar presença, é claro. Desta vez, o festival ocorreu no barracão da escola de samba Praiana, em uma lona gigantesca de circo, o que lembrou o evento do final do ano passado, sintomaticamente nomeado GIG Rock Circus.

 

Acho que foi o mais fraco dos que eu assisti, pois não estava completamente lotado. Há também a quase inevitável repetição de bandas, já que a maioria delas é daqui e, querendo ou não, as mais bacanas não podem ser deixadas de fora por mais de duas edições seguidas... Mas é claro que tivemos sons de fora do estado, como o Montage. E, pasmem, a atual queridinha do mundo da música, Mallu Magalhães!

 

Para quem não sabe, a menina, que acabou de fazer 16 anos, toca uma mistura de folk com country, é influenciada (obviamente) por Bob Dylan e Johnny Cash e, mesmo só tendo lançado seu primeiro disco no dia do show, já virou ícone do mundo pop brazuca.

 

Só saberemos se a guria é fogo de palha ou realmente vai engrenar uma carreira respeitável daqui a alguns anos. Ok, podem falar que a voz fininha é irritante, que as músicas são muito meiguinhas, que o grupo que a acompanha é quem conduz o show - e, mesmo assim, parece fazê-lo de forma um tanto burocrática. No entanto, uma coisa é inegável: ela tem talento.

 

Engraçado foi ver que o show destoou completamente do festival. Ficou um clima de fofura só, com todos aqueles pais acompanhando suas filhinhas que deveriam estar na fila do RBD, mas acharam algo muito melhor para curtir.  Que bom para elas!

 

Em um programa mais adulto, pude ver mais um show do Nei Lisboa, desta vez no teatro do CIEE. Comemorando os 10 anos do disco Hi-Fi, no qual gravou apenas versões de músicas em inglês, o cara mostrou a classe de sempre “coverizando” Elton John, Bread, Beatles, Bob Marley, Paul Simon e outros tantos. Som ótimo, graças à excelente acústica do local, mas é claro que eu, freqüentador de pistas, e não de cadeiras, me senti um pouco estranho sentado lá. Agora é esperar o show de 30 anos de carreira do cara, que deve ser no meio do ano que vem. Imagino que vá ser um clássico atrás do outro... Imperdível!

 

Não, não vi o Judas Priest de novo. Nem o R.E.M., e muito menos a Cindy Lauper!

 

Pra terminar, o clipe de uma música que me veio à cabeça ontem e ainda não saiu: “The day I tried to live”, do Soungarden.

 

DIÁRIOS DE VIAGEM - NOS DOMÍNIOS DE VALDIVIA

 

De volta a Santiago e ao mesmo albergue da rua Cienfuegos. Depois de retornar de Valparaiso e de ter uma boa noite de sono, levantamos um pouco tarde, mas não a ponto de não poder aproveitar bem o dia na capital chilena - afinal, abreviamos nossa primeira passagem pela cidade para curtir o final de semana na praia. Desta vez, nada de museus e igrejas no roteiro, mas sim uma longa caminhada pela região central de Santiago.

 

No cerro Santa Luzia, parte 1...

 

Antes disso, no albergue, aproveitamos para dar um sinal de vida para a família via e-mail - algo rotineiro durante a viagem, embora eu o fizesse apenas uma vez por semana, quando muito duas. Na sala dos computadores, encontramos uma menina de Curitiba que, se não me engano, se chamava Aline. Ela nos relata o quanto havia gastado para ir até o Chile, quanto o taxista pediu para trazê-la do aeroporto e até o valor que haviam cobrado para ela visitar as casas de Neruda que já havíamos visto. Só o custo do passeio a Valparaiso, Isla Negra e Viña del Mar seria mais ou menos o que nós gastaríamos na viagem inteira!!! Nunca fiquei tão feliz por dormir em um albergue ou viajar em ônibus de linha.

 

No centro, continuamos com nossas dificuldades para comer. A ameaçadora palta nos ronda em todas as esquinas! Mas tudo bem, a prioridade não é encher a pança, e sim conhecer os lugares, por isso seguimos adiante. Uma longa subida ao cerro Santa Luzia nos espera.

 

No cerro Santa Luzia, parte 2...

 

O local, antes chamado de cerro Huélen, foi onde Pedro de Valdivia, o conquistador espanhol que deu nome a centenas de ruas, praças e monumentos no Chile, fundou Santiago. É verdade que, como em todo caso de colonização, há controvérsia sobre a veracidade dessa informação (é bom lembrar que a história sempre é contada pelos vencedores). Mesmo assim, é inegável a importância do lugar, que serviu de base para a expansão da capita chilena.

 

Escadarias e mais escadarias depois, notamos que a fortaleza erguida sobre o cerro é pequena. Fico imaginando como se deram as batalhas ali, naquele local tão estreito e erguido nas alturas. Se na época era exatamente dessa forma, os combatentes tinham que se esforçar muito para não despencar em algum desfiladeiro antes mesmo de se aproximarem das muralhas.

 

No topo do Santa Luzia, mirantes para aqueles que desejam ver com mais detalhes o que já impressiona a olho nu: a bela vista da Cordilheira dos Andes. Infelizmente, o dia está um pouco nublado e quase não podemos enxergar. No entanto, como já vimos montanhas em abundância na Argentina, não ficamos tão frustrados.

 

Ao descer do morro, esvaziamos os bolsos em uma loja-caverna de artesanato indígena, onde compro uma camiseta da tribo mapuche e uma dezena de sachês de chá de coca. Ah, não dá barato, não!

 

Atravessamos a rua, comemos alguma coisa e vamos para outra feira, desta vez mais parecida com um camelódromo, onde encontramos alguns produtos autênticos do Chile e muita, mas muuuita pirataria da braba. À noite, uma cerveja Becker de litro, acompanhada por uma pizza pra lá de esquisita e, mais tarde, uma conversa com um francês maluco que já morou no Brasil. Conclusão do papo, confirmada em outras situações pelas quais passamos durante a viagem: os gringos conhecem o Brasil melhor do que nós. Mas, também, que culpa temos se é tudo tão mais caro por aqui?

CAPA ENIGMÁTICA

 

Confesso que fiquei surpreso por ninguém ter percebido as mãos na capa de Master of Puppets antes. Mas admito que já deixei de notar detalhes desse tipo em outros discos, como No Sleep’till Hammersmith, o melhor ao vivo do Motörhead.

 

 

A foto da capa desse álbum de 1981 traz a banda tocando e a parte frontal do sistema de iluminação do show na forma de um bombardeiro, em alusão ao álbum Bomber. Quando o Guilherme narigudo (vulgo “Rabanete”) me pediu emprestado e, ao devolver, disse que o “disco do avião” era muito bom, cheguei a rir da descrição. Ignorava que ele, na verdade, tinha razão... E o pior é que, olhando bem, isso está mais do que evidente!

 

Mas em matéria de Motörhead, há uma capa muito mais curiosa que a de No Sleep... É a de Sacrifice, disco de 1995 que traz o monstrego-símbolo na capa, como quase todos os álbuns anteriores. No entanto, alguns detalhezinhos fazem toda a diferença... Só fui perceber isso anos depois, quando pensei: “Como é que não censuraram essa capa?” Alguém aí sabe dizer quais são esses detalhes?

 

QUANDO O ROCK ME PEGOU - PARTE 9

 

 

Por alienação, lerdeza ou falta de conhecimento, acabei demorando um pouco para conhecer o famoso disco preto do Metallica. O álbum saiu em 1991, quando eu ainda estava no primeiro grau e tinha poucos amigos que curtiam rock. Então, eu era adepto de uma prática meio “suicida” em matéria de música: comprava um disco com base em uma única música que havia escutado ou, ainda pior, no que havia lido em alguma revista. Lembrem-se de que não havia internet e a pirataria era um negócio ainda em expansão.

 

Mesmo assim, foi através dos piratas que conheci o maravilhoso Master of Puppets. Lembro bem ainda hoje de ter comprado a fitinha no camelódromo de Pelotas, então na praça XV, vários anos antes de me mudar para lá. Saia pouco de Santa Vitória, normalmente para consultar o oftalmologista, e sempre que isso acontecia, voltava cheio de tralhas dificilmente encontradas na terra dos mergulhões. Em uma dessas viagens, acabei adquirindo aquela fita, cuja capa mostrava várias cruzes em um campo, ligadas por barbantes a enormes mãos que vinham lá do céu. Seria Deus o mestre dos fantoches?

 

Para o bem ou para o mal, só fui ouvir o disco Metallica na íntegra após ter decorado o clássico de 1986. Por isso, tive um pequeno choque ao comparar aquela banda de thrash metal oitentista com o som cadenciado dos anos 90... Mal sabia eu que outras surpresas viriam nos anos seguintes...

 

De qualquer forma, Master... teve um impacto impressionante na minha mente perturbada. Jamais havia pensado que fosse possível existir um som tão pesado e ao mesmo tempo melodioso como o que James, Lars, Kirk e Cliff conseguiram apresentar nesse disco. A abertura é arrasadora, com “Battery” e a faixa-título não deixando pedra sobre pedra, só para usar uma expressão óbvia em resenhas de discos de metal. “The thing that should not be” é mais difícil de engolir de primeira, com o soturno baixo do finado Cliff Burton dando início a uma das mais estranhas canções do Metallica. O lado A termina com a bela balada “Welcome home (Sanitarium)”, que deixa ainda mais evidente o clima deprê do disco e também dá uma idéia de como seria o futuro da banda.

 

O lado B não tem faixas tão famosas, mas, em matéria de qualidade, é quase tão bom quanto o primeiro. O ritmo volta a acelerar com “Disposable heroes” e “Lepper Mesiah”, e a banda mostra que realmente está em grande forma em “Orion”, uma brilhante faixa instrumental. Nunca canso de repetir que esta, assim como “The call of Ktulu”, do disco Ride the Lightening, são algumas das minhas músicas instrumentais favoritas. Levando em conta que eu quase não gosto desse tipo de música, considerem isso um enorme elogio...

 

Fechando Master..., mais uma arrasa-quarteirão (óia o chavão de novo aí gente!): “Damage, inc.”. Uma paulada na orelha, como disse um cara que alguns que visitam o blog conhecem e que foi na excursão do show de 1999, em Porto Alegre - o famoso Maurício Metallica, lá de Pelotas.

 

Não se passaram muitos meses - ou semanas, sei lá - até que eu ouvisse Metallica, o black album, e constatasse a gritante diferença entre o multiplatinado disco de 1991 e o clássico de 1986. Evidentemente, o tempo pesou, tanto para mim como para a banda, a ponto de eu reconhecer que a evolução era natural, mesmo significando uma amenizada no peso. O que não signifique que eles acertaram a mão em Load e Reload (e, em menor proporção, em Garage Inc. e S&M) e que não cometeram uma grande cagada em St. Anger. E que voltaram aos bons tempos em Death Magnetic. Ok, um disco só é pouco para dar a redenção a quem ficou quase 20 anos viajando na maionese. Mas só por terem composto Master of Puppets eles já fizeram mais do que 99% das bandas que estão por aí.

 

OBS: A fita de camelô era castelhana - para quem não sabe, os caras traduzem tudo. Assim, Maestro de Títeres tinha “Bienvenido a casa (Sanatorio)” e La cosa que no deveria existir”...

AULA DE ROCK EM CINCO LIÇÕES

 

Que ninguém mais compra CDs hoje em dia, todo mundo já está sem o couro cabeludo de saber. Agora, quem, em sã consciência, compraria um disco com cinco músicas e duração de 25 minutos?

 

 

Obviamente, não estava em sã consciência quando comprei ’74 Jailbreak, álbum que o AC/DC lançou em 1984, quando Brian Johnson já havia assumido o lugar do finado Bon Scott. As faixas, gravadas em meados dos anos 70 (daí o título do disco) e lançadas em diferentes álbuns da banda em países diversos, foram compiladas apenas uma década depois, sabe-se lá o motivo. O fato é que as cinco são sensacionais, o que justifica a compra. E finalmente tenho Jailbreak em casa, depois de muito ouvir a fita K7 e a versão MP3!

 

É verdade que paguei pouquíssimo, numa daquelas promoções que se tornaram comuns hoje em dia. Torrar R$ 40 em um disco com tão poucas músicas não seria lá muito inteligente - se bem que nem em CDs com mais faixas tenho investido tanto dinheiro. Agora, não dá pra negar que a cada vez maior quantidade de ofertas tem ajudado para engordar a coleção de clássicos.

 

Para os desmemoriados ou para aqueles que acham que ver clipe é coisa do passado (com a MTV cada vez pior, o negócio é apelar para o YouTube, mesmo com qualidade horrenda), deixo abaixo o hilário vídeo da matadora faixa-título. Mas não esqueçam: Jailbreak tem outras quatro músicas maravilhosas: “You ain’t got a hold on me”, “Show business”, “Soul stripper” e “Baby, please don’t go”.

 

Aviso aos que ainda não conseguiram ver nenhum dos vídeos: esperem carregar a barrinha vermelha até o fim, pô!!!

 




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